10 de junho de 2019

Essa é um daqueles textos que você nunca pensa que vai escrever. Mas a vida é mesmo instável e  quando surge a necessidade de falar sobre isso, mil coisas passam pela sua cabeça a respeito de como começar a compartilhar com o mundo o furacão de sentimentos que há dentro de você. E você tem que começar de alguma forma mesmo que não ache possível encontrar palavras para descrever seus últimos meses. E dai, então, de repente, você lembra do leite de amêndoas que comprou semana passada. Um fato bobo, mas que representa tão bem todo esse processo que você está vivendo. Aquele doce leite de amêndoas que você tomou com um combo de waffles e morango. O inocente leite. Mas que tem tudo a ver com a bagunça que você se enfiou nos últimos tempos.

Pois bem, vamos começar dizendo que foi em um sábado desses comuns que eu cruzei com o leite de amêndoas na prateleira de um supermercado. Era algo que eu sempre quis experimentar, mas que por vários motivos nunca havia comprado. Entre esses vários motivos e é importante ressalta-los, estão aqueles planos que você faz para o futuro que em um ponto da vida se tornam sua total prioridade. Tipo comprar uma casa, um carro. Fazer uma grande festa, abrir uma empresa, mudar de carreira. Aquela coisa básica de ter metas e foco: ok vida adulta. Mas de repente você percebe que pequenas alegrias cotidianas foram sugadas por um turbilhão de responsabilidades de projetos que você traçou para o seu futuro e quase sempre você se da conta disso quando está em supermercado e pega a caixa de leite de amêndoas e compra. Porque naquele momento você pensa: agora que tudo foi para o espaço mesmo, quem se importa?

Eu não sei porque temos a tendência de perceber o quanto as coisas vão mal somente quando explodem em nossa cara. Não se se é algo biológico ou instintivo do ser humano se segurar ao máximo aquilo que já devia ter ido embora há muito tempo, mas a gente meio que tem essa tendência ao apego né? Sei lá, coisas da vida, ou talvez do confortável mundo de alguém com lua em touro. Mas foi basicamente assim que me deliciei com meu leite de amêndoas na semana passada. Faz alguns meses que minha vida entrou em uma espiral de colapso e todo o esforço que fiz para segurar todos os forninhos foram totalmente em vão. Eu cheguei em um ponto que as minhas concepções de vida foram totalmente reformuladas. Coisas que jamais poderei contar em um texto aberto de um blog. Mas basicamente a mudança interior foi tão grande que minha vida toda não suportava mais aquela carapaça que eu tinha construído ao meu redor. Resultado? Uma mudança radical de carreira, de foco e um divórcio. Com direito a todo processo de luto que a ruptura de um relacionamento que basicamente durou 1/4 da minha vida pode trazer.

É estranho pensar que o outono sempre representou para mim esses períodos de mudança profundas. Acho que por ter nascido na lua minguante sempre me identifico com essa fase de perca das folhagens onde se vai abandonando todos os frutos para se despir para o inverno que logo chegará. E o fato de ter nascido com um ascendente em escorpião sempre me deixou bem ciente da necessidade de enfrentar grandes perdas, porque nenhum processo de purificação e expansão ocorre se não arrancarmos da nossa vida aquilo que não cabe mais. Fácil não é, extremamente desconfortável. Mas tem o leite de amêndoas. E quando você sente o doce gosto de experimentar aquela liberdade de não ter mais planos, é quando tudo começa a se tornar possível novamente.

Por isso cá estamos. Há alguns dias de fechar o ciclo do outono. Não consegui compartilhar muito por aqui, foram meses difíceis. Porém o blog não morrerá. O aptox é a minha casa e a minha casa é meu coração e a minha alma. Ele estará vivo enquanto eu respirar. Por isso em breve teremos um novo espaço, inspirações, uma casa de solteira! Novas experiências. O bruno virou um capítulo da minha história e ficará guardado em algumas páginas desse blog, assim como dentro do meu coração para sempre. Mas daqui para frente seguirei feliz nessa nova jornada junto com vocês, vivendo cada ciclo que a experiência terrena tem a me agregar. A vida é movimento e nada melhor que a lunação de gêmeos para nos lembrar que tudo pode ser leve, basta olharmos com mais flexibilidade para as possibilidades no horizonte.

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