15 de dezembro de 2019

2019 está acabando e com ele a finalização do ciclo de posts sobre a Argentina, esse país que eu tive a honra de conhecer esse ano e que marcou profundamente um novo ciclo em minha vida. Me despedir de Buenos Aires é semelhante a me despedir de 2019, porque foi uma experiência tão intensa que eu sinto que deixará marcas que ainda serão muito exploradas nos próximos anos. E a medida que eu for colhendo tudo que plantei nesse transformador inverno de 2019, vou relembrando aos pouquinhos esse amor intenso que brotou no meu coração e reviver magicamente cada memória que ainda está fresca na minha mente.

Por ora, encerro o ciclo de posts sobre a cidade, pelo menos por enquanto, deixando registrado algumas percepções e curiosidades que explicam em partes, porque eres mi amor, Buenos aires.

Buenos Aires, uma capital europeia na América?

Buenos Aires tem a fama de ser uma capital europeia na América. E na minha percepção não é somente fama, definitivamente ela tem um toque bastante clássico o que a torna muito próxima do estilo arquitetônico predominante na Europa. Eu vou até um pouco além nesse ponto, arrisco dizer que ela é muito mais bonita e conservada que muitas capitais europeias, a exemplo da Itália que conheci ano passado, por exemplo. Na verdade Buenos Aires me lembrou em muitos pontos a nova york da década de 90 que eu tanto vi em filmes e séries, porque tem essa cara de cidade colonizada por europeus, mas que tem aquele jeitinho América de ser, meio caótico e em passo de desenvolvimento. Assistindo Sex and the City eu me recordei diversas vezes de muitos lugares que visitei em Buenos Aires, então meio inevitável não fazer essa relação.

Clássica, atemporal e elegante. A parte histórica é tão bem conservada que envergonha a gente de São Paulo que não tem esperança de ver o centro antigo da cidade tão bem cuidado e seguro. Na verdade em toda região central da cidade é muito difícil achar lugares depredados, mal cuidados, ou decadentes. A cidade toda, apesar da extrema dificuldade econômica, parece ser olhada com carinho, seja pela gestão, seja pela população. É uma coisa gostosa de se ver e com certeza foi o que tornou toda minha estadia lá tão encantadora.

Aliás a estética sem dúvidas é o forte da cidade. Mesmo lojas, restaurantes, tudo é muito ajeitadinho, é difícil encontrar um ponto comercial meia boca. Sabe aquela coisa cheia de letreiro feio que a gente tem muito no Brasil? Lá tudo parece ter sido feito por um designer. Mesmo as barraquinhas de frutas de uma esquina parece ter saído de um filme do woody allen. É meio rústico, na maior parte dos casos super simples, mas é bem feito sabe? Dá gosto de ver, agrada o olhar. Na verdade isso é meio subjetivo né, tem gosto para tudo, mas eu que sou uma pessoa mais básica e clássica me senti em casa com essa estética. Completamente apaixonada.

Gostei bastante da comida também. Saborosa, nada divino como a Itália, mas gostosinho e bem próximo do Brasil. O ponto alto é o vinho que é o meu favorito do mundo e que custa tão barato que não seria difícil me tornar alcoólatra na Argentina. Aliás lá é mais fácil curtir a vida devido ao combo cidade pequena + quantidade de estabelecimentos para se comer, beber e divertir-se. Achei as baladas incríveis, os restaurantes charmosos e as lojas divinamente encantadoras. FOI DIFÍCIL REALMENTE VOLTAR PARA O BRASIL.

apaixone por Buenos Aires comigo, escuta minha playlist da Argentina

e a economia é mesmo instável?

Sobre a economia é realmente bem complicada. Tudo lá é meio caro. Tipo tecnologia, chocolate, produtos de beleza…  é bem mais caro que o Brasil. Um esmalte? uns 9 reais. Um chocolate hershey? uns 10 reais. Isso na época que eu fui que estava com uma situação boa. Agora nem sei como está, porque os produtos que vem de fora oscilam muito e realmente é visível que a demanda que eles possuem dessas coisas é beeeeeeeem menor que o padrão que estamos acostumados em SP. Esse é um ponto que provavelmente deixaria um brasileiro fundido da cuca, entender que não é tão abundante a oferta de coisas. Aqui se entra em um supermercado e se acha tanta coisa, mas tanto coisa que nos acostumamos com esse padrão achando que isso é normal em toda parte do mundo, quando não é. E mesmo para mim que tenho uma visão crítica ao consumismo, tive um pouco de dificuldade de me adaptar a situação de entrar em um supermercado grande como o carrefour e ter que escolher entre 3 marcas de molho de tomate, porque é o que tem.

Alias nem é tão abundante a oferta de lojas propriamente dita. Se acha muito mais lugares para viver do que para comprar e isso foi um ponto muito favorável na minha experiência. Shopping inclusive, entrei em 2. Bem diferente e bem voltado a compras mesmo, difícil pensar que um Argentino vá ao shopping passear como fazemos no Brasil.

E que povo engajado. Jogo do Brasil e Argentina e eles sofrendo e chorando pela honra do país. Entrei no táxi e a primeira coisa que ouvi ao dizer que sou Brasileira foi “¿Qué demonios ha hecho eligiendo bolsonaro?”. Esses são apenas alguns exemplos de como eles se importam com valores nacionais e questões políticas do país deles e da américa como um todo. Para quem gosta de política como eu foi um tesão constante, parar em cada bar da esquina e debater com qualquer um que aparecesse em um nível profundo, porque as pessoas no geral realmente se importam.

Agora se eu tiver que dizer algo negativo sobre a Argentina falaria do café. Que realmente não é dos melhores. Falaria também do atraso tecnológico deles, que mal aceitam cartão de crédito em pleno século XVI.  Mas eu não tenho que falar nada negativo porque é só amor que teu tenho no peito por essa cidade e quero conservar assim por todos os dias da minha vida, lembranças eternas de um inverno mágico de filme que eu pude vivenciar.

Por isso espero que tenham gostado das minhas memórias. Elas estão muito mais vivas dentro de mim do que jamais conseguiria colocar em palavras nesse texto. Por isso me despeço deixando o convite bem claro e aberto, se puder conheça Buenos Aires. Se abra para o antigo, se permita viver a mágica de uma cidade que exala romance e idealismo. Seja Argentino por um dia, não se arrependerá, porque é intenso, como um tango, aquece a alma e faz corar.

te amo hoje e sempre, Argentina, 2019.

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