9 de abril de 2019

Finalmente eu vou começar a cumprir as minhas promessas de falar mais sobre meu estilo de vida sazonal. Sei que ele está cada vez mais expressivo e isso causa bastante curiosidade em quem me acompanha cotidianamente lá no instagram, por isso já está mais que na hora de começar a falar desse assunto de forma mais profunda, trazendo as reais motivações desse método e o porque da minha paixão por esse assunto. Contudo, peço ao leitor que se atenha a necessidade que tenho de ir as raízes desse tópico, abordando a relação que existe entre a sazonalidade e a arte de viver com o essencial e como essas duas coisas estão totalmente conectadas com o viver no presente e nos localizarmos no espaço. Espero que compreendam que essa é uma discussão super relevante, sem a qual a sazonalidade se torna apenas mais um conceito vazio dentre muitos outros no hall de métodos de organização.

você vive no presente? Sabe onde está agora?

A sazonalidade entrou na minha vida, assim como o minimalismo, por uma necessidade e um acaso. Esses dois conceitos sempre estiveram totalmente ligados porque surgiram na minha necessidade de começar uma jornada pessoal de amadurecimento onde eu quis trilhar um caminho de independência que acabou me levando a muitos outros pontos dos quais eu não fazia nem ideia. É que esse tipo de decisão faz a gente pensar um bocado sobre as coisas da vida e também nos traz muitas rupturas de paradigma que surgem em situações aparentemente banais e sem sentido profundo. É o caso por exemplo de uma garota acostumada a ter 2 armários de roupas na casa dos pais e de repente precisar escolher quais valem o pouco espaço que ela possui na única cômoda que ela terá na casa nova. Acredite, quando você tem 20 e poucos anos e decidi sair da casa dos meus pais com pouco dinheiro na conta e nenhuma certeza do futuro. Você aprende uma coisa chamada priorizar. Quando você tem mais de 100 pares de sapato e nenhum armário para colocar você começa a se perguntar sobre o que é mais importante. E não importa quão fútil possa ser a situação em questão, quando a vida te imputa algum tipo de limitação é quando você começa a se questionar acerca do essencial, porque limites nos obrigam a fazer escolhas e escolhas determinam a nossa jornada. Por isso eu decidi encarar essas limitações que me foram impostas como um desafio de buscar esse essencial, que me permitisse prosseguir em minha jornada apenas com as ferramentas necessárias naquele instante, com a certeza que somente assim poderia ir mais longe.

Portanto, minha busca por métodos de organização sempre esteve fundamentada nessa convicção de que gerir recursos é a arte de priorizar. Clareza do que se quer e do que se tem se tornaram fundamentais nesse processo que sempre foi motivado na vontade de superar cada limitação que me era imposta. Se eu tinha pouco espaço era necessário ter menos coisas e se eu tinha pouco dinheiro era preciso saber onde realmente valia a pena emprega-lo. E assim eu fui caminhando, buscando formas de gerenciar esses processos com eficiência e consciência, fazendo de cada escolha um passo dessa jornada. E para minha surpresa, acabei me apaixonando pela sazonalidade, quando percebi que existe um tipo de recurso muito mais valioso do que qualquer coisa material, algo que é sempre muito frágil e efêmero, mas que determina todo o restante. Creio que você conhece ele como o tempo, essa coisa que está sempre ao nosso redor, mas que só acontece no presente, no instante do agora.

Sabe, parece muito clichê, mas quando essa chave vira não tem como voltar atrás. Quando você entende que não importa sua crença sobre o futuro, nem mesmo se você acredita na eternidade, o tempo é sempre único e o agora é sempre limitado. Não é possível ter foco em duas coisas no mesmo instante, por isso o que você foca agora é sempre uma escolha. O ponto é que pode ser uma escolha consciente ou uma sensação de estar sempre sendo guiado. E o complexo disso é que essa consciência te traz uma sensação ainda maior de responsabilidade, porque não estamos mais falando de objetivos pontuais, mas de uma existência com propósito, onde você sabe que a sua realidade está na sua capacidade de controlar o seu foco, ou seja, o seu agora.

Essa relação com o tempo me fez colocar ele como a prioridade absoluta da minha vida. Eu decidi viver com propósito. Não amanhã, não daqui há dois anos, mas agora. E cada coisa que toma meu foco tem que ser valiosa e estar alinhada com o meu propósito. É a minha escolha. A sazonalidade foi o método que eu decidi incorporar na minha vida porque ela me lembra todos os dias desse propósito. Não se trata de fazer frio ou calor. Mas de lembrar que existe um tempo, cíclico, porém único. E apesar de acreditar que talvez eu tenha milhares de outonos na minha existência, o outono de 2018 e tudo que eu fizer nele será absolutamente único e marcado no tempo espaço de forma tão definitiva, que me motiva  a querer fazer dele o melhor outono de todos.

E o resto que vem nesse combo é consequência. Decorar a casa, me desapegar de coisas, vestir uma roupa marrom… são apenas forma de celebrar e me divertir nesse processo. É o meu tributo em homenagem a essa vida linda a qual eu tenho a enorme gratidão por pertencer. Porque quando eu olho para tudo isso eu sinto uma felicidade enorme que me consome e me conecta com a certeza de que cada detalhe da minha vida reflete essa consciência. E isso para mim é o essencial.

Portanto eu gostaria de fechar essa reflexão convidando você a buscar esse mesmo nível de satisfação na sua vida. Eu acredito que nós vivemos em um tempo onde temos tantas possibilidades de construção de tantas realidades que esquecemos dessa conexão com o presente. Em um mundo de excessos é fundamental o cultivo dessa arte de viver com o essencial, do contrário, nossa passagem pelo tempo estará sempre seriamente ameaçada pela possibilidade de sermos apenas guiados por ele. E com isso não digo que você precisa ter um método sazonal na sua vida para se sentir conectado, mas que na sua jornada, o essencial deve ser sempre priorizado. Essa é a maior lição que sazonalidade me trouxe. Por isso hoje e até quando eu sentir necessidade, continuarei fazendo meu tributo à ela, com direito há muitas pequenas tradições que construíram essa sabedoria milenar que hoje me liberta das sombras de uma vida sem significado.

Espero que tenham gostado da reflexão. Uma grande beijo e até  próxima! ❤

 

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